Mulheres que fazem Ciência. Você as conhece?

Atualizado: Abr 26

XAVIER, Josilda B.L.M. [1]


Ser cientista! Quantas mulheres, ao longo do tempo histórico conhecido, sonharam em solucionar os problemas cotidianos, enquanto cientistas, e realizaram esse sonho? Quantas mulheres cientistas você, caríssima(o) leitora(a), seria capaz de citar? Quantos Prêmios Nobel foram conquistados por mulheres?


No imaginário infantil, para as meninas filhas de trabalhadores, ser professora, muitas vezes, era o mais próximo de “ser cientista” que se podia sonhar. Afinal, para ser professora é preciso estudar muito, conhecer sobre culturas, arte, filosofia, psicologia etc., além de dominar o conteúdo da sua especialidade (Ciências Naturais, Matemática, História, Geografia, Língua Portuguesa).


Há algum tempo, movimentos feministas têm trabalhado para retirar da invisibilidade toda a produção e potencialidade das mulheres no fazer científico. No Brasil, em pesquisas realizadas, verifica-se que é dentro das universidades públicas que boa parte da ciência acontece, de certa forma, corroborando com a percepção intuitiva das meninas, confirmando que ser professora as aproximavam desse mundo que parecia só aos homens ser permitido o acesso. Portanto, olhar para a presença e importância da mulher na universidade, é um jeito de enxergar, com “olhos de ver”, como tem caminhado a representatividade feminina na academia, no mundo científico.


As mulheres cientistas que conseguiram realizar seus sonhos, “mostram que é possível lutar pela igualdade de espaço nas ciências para homens e mulheres, brancos, negros, indígenas, pessoas de todas as cores e todos os níveis sociais. São pesquisadoras diferentes entre si, mas também iguais, se considerarmos que praticamente todas as trajetórias são marcadas por desafios superados. Eles vão da insistência em pesquisar remédios pouco lucrativos para a indústria farmacêutica, passando pelo desejo de conciliar vocações aparentemente diferentes, até o maior deles: o preconceito, às vezes pelo simples fato de serem do sexo feminino. (RIBEIRO; FAGUNDES, 2019).


Se mulheres brancas, de classe socioeconômica alta / média, tiveram dificuldades em seus percursos profissionais ao enfrentar preconceitos machistas, às vezes chegando à misoginia, imaginemos o quanto foi e ainda tem sido difícil para mulheres negras e pobres? Entre tantas mulheres pesquisadoras que tem procurado retirar o “véu” da invisibilidade sobre a produção científica de mulheres negras no Brasil, Pinheiro (2020) ressalta que em seus estudos, iniciados em 2015, verificou que havia “uma história silenciada, produções científico-tecnológicas pilhadas, uma intelectualidade ancestral negada”, e que era necessário fazer algo para que a população negra, principalmente as mulheres negras também acessassem o conhecimento científico, e o fazer ciência que ela, a autora, estava produzindo e tendo acesso.


O dia 8 de março, desde 1975, instituído pela ONU, tem-se dedicado uma atenção especial às mulheres, dando seguimento a ideia de uma celebração anual sugerida pelo “Partido Socialista da América [que] organizou o dia da mulher, em 20 de fevereiro de 1909, em Nova York, [em] uma jornada de manifestação pela igualdade de direitos civis, melhores condições de vida e em favor do voto feminino” (WIKIPÉDIA, s/d).


Nesse contexto, o Laboratório Criativo Umbuzeiro - Ciência no Ciberespaço, enfatiza a importância da luta das mulheres pelo direito de serem tratadas de forma igualitária, em relação aos homens, “seja na política, seja em outros campos da vida, como o mercado de trabalho e as próprias relações privadas” (COELHO, 2019), travada desde o final do século XIX. O LabCriat-Umbuzeiro destaca algumas mulheres que, a seu modo, revolucionaram e continuam a revolucionar o fazer científico.


A todas as mulheres que ousam fazer Ciências, colocando em suas ações toda a subjetividade que carregam em si (mães, filhas, companheiras, amigas, avós), com suavidade e determinação, na busca de soluções para os problemas que se apresentam em nosso cotidiano, nossa homenagem, representadas em cada uma das oito CIENTISTAS/PESQUISADORAS brasileiras, em destaque abaixo:







[1] Docente do Curso Licenciatura em Ciências Biológicas da UNEB/DEDC/CAMPUS VIII. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/0838920937933125




REFERÊNCIA


COELHO, Marcus Vinícius Furtado. A igualdade de gênero como vetor constitucional. Consultor Jurídico. 17 de fevereiro de 2019. Disponível em: https://www.conjur.com.br/2019-fev-17/constituicao-igualdade-genero-vetor-constitucional


GOMES, Karol. Pesquisadora química cria produto que remove agrotóxicos dos alimentos e chama atenção no mercado. Portal do Geledés. 13/11/2019. Disponível em: https://www.geledes.org.br/pesquisadora-quimica-cria-produto-que-remove-agrotoxicos-dos-alimentos-e-chama-atencao-no-mercado/


NUNES, Teresa. Cientistas brasileiras: Mulheres na ciência. Pós-Graduando. 8 de março de 2020. Disponível em: https://posgraduando.com/cientistas-brasileiras-mulheres-na-ciencia/


PINHEIRO, Bárbara Carine Soares. Descolonizando Saberes – Mulheres negras na Ciência. – São Paulo: Editora Livraria da Física, 2020. – (Coleção culturas, direitos humanos e diversidade na educação em ciências)


RIBEIRO, Alessandra; FAGUNDES, Vanessa. (Org.) Mulheres fazem Ciência. Dez cientistas, muitas histórias. Vol. 1. FAPEMIG. 1ª Edição. 2019. Disponível em: https://fapemig.br/media/filer_public/46/38/46383023-3210-4dc6-96e0-ce50314c4c3c/cientistas_mulheres_v3.pdf


WIKIPÉDIA – Dia Internacional da Mulher. s/d. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Dia_Internacional_da_Mulher

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