Estamos contribuindo para a DESTRUIÇÃO da vida na Terra?

XAVIER, Josilda B. Lima M.[1]

Universidade do Estado da Bahia - UNEB



Ontem, dia 5 de junho, foi celebrado o Dia Mundial do Meio Ambiente, uma das principais datas criadas pelas Nações Unidas (ONU) com o objetivo de sensibilizar e impulsionar ações que se propusessem resolver problemas ambientais urgentes. Sua criação ocorreu 2 anos após a realização da Conferência de Estocolmo (Suécia) em 1972, primeira grande reunião de chefes de estado organizada pela ONU para tratar das questões relacionadas à degradação do meio ambiente. A data comemorativa criada em 1974, “cresceu e se tornou uma plataforma global de mais de 100 países”. No ano de 2021 o Dia Mundial do Meio Ambiente marcou “o lançamento oficial da Década das Nações Unidas da Restauração de Ecossistemas 2021-2030.” (UN-BRASIL, 2021).


Entretanto, há quase meio século (48 anos), o que tem sido observado é a beligerância dos países ricos estruturarem todo tipo de ação que acelera a degradação ambiental, desde a promoção e apoio às guerras, até a invasão de terras em um processo neocolonial, em busca de riquezas minerais (ouro, nióbio, lítio, petróleo etc.) ou produção de monoculturas (cultura de soja, milho, algodão, cana de açúcar em milhões de hectares) sob o jugo da “dupla perfeita”, sementes transgênicas-agrotóxicos, que impactam profundamente o solo, a água, o ar, os alimentos, a vida humana, a vida no planeta.


Desse modo, esse texto tem como objetivo trazer à luz de nossa consciência, algumas das muitas ações que estamos reproduzindo, uns mais outros menos, e que contribuem para a DESTRUIÇÃO da vida em nossa casa maior, a Terra.

Para início de reflexão, é necessário encarar nossas reais necessidades, de modo que não sejamos “presas” fáceis do sistema econômico, hegemônico, que transforma o planeta em mera mercadoria, inclusive os seres humanos. Para tanto é importante não esquecermos que o sistema econômico vigente, o capitalismo, tem como premissa, “a transformação implacável das condições e meios de acumulação, a revolução perpétua da produção, do comércio, das finanças e do consumo” (COGGIOLA, 2021), criando “necessidades”, de forma artificial, que apenas fortalecem seu domínio sobre os humanos e sobre a destruição do planeta.



“Necessidades” humanas: base de destruição da natureza. (I)


Para muitos estudiosos, as necessidades humanas, que irão auxiliar na elaboração conceitual de qualidade de vida humana, apresentam-se como uma temática complexa, de difícil compreensão e necessita de delimitações que possibilitem sua análise.


Assim, a qualidade de vida humana “É considerada como a percepção do indivíduo de sua posição na vida no contexto da cultura e sistema de valores nos quais vive e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações (WHOQOL, 1994) e mesmo como uma questão ética (SANTIN,2002), que deve, primordialmente, ser analisada a partir da percepção individual de cada um.” (GILL & FEISNTEIN, 1994)”. (In: PEREIRA; TEIXEIRA; SANTOS, 2012).


Para a Organização Mundial da Saúde (OMS), a qualidade de vida é considerada como “um conceito de amplo espectro, que incorpora de modo complexo a saúde física, o estado psicológico, o nível de independência e as relações sociais das pessoas, bem como suas interfaces com importantes características de seu meio”. (DOMINGUES; OLIVERIA; MARQUES, 2018).


Os autores, Domingues, Oliveira e Marques (2018), destacam que no contexto das definições sobre qualidade de vida é fundamental considerar as representações sociais, enquanto “uma forma de conhecimento, socialmente elaborada e partilhada, com um objetivo prático, e que contribui para a construção de uma realidade comum a um conjunto social.” (JODELET, 2001, In: DOMINGUES; OLIVERIA; MARQUES, 2018).


Além dos conceitos de qualidade de vida e representação social, é importante entendermos um outro conceito fundamental para o sistema econômico vigente: a cadeia de valor. Ela descreve como se desenvolve a estrutura capitalista, começando com a “retirada da matéria-prima e vai até à distribuição do produto acabado, quando se tem início uma nova cadeia de valor: a do uso do produto até o seu descarte adequado ou reciclagem e reaproveitamento dos materiais em outros processos de produção” (MARTINS, 2020).


Martins (2020) destaca ainda que, “uma cadeia de valor é todo o conjunto de atividades ou partes que fornecem ou recebem valor, na forma de produtos ou serviços (por exemplo, matéria prima, fornecedores, terceirizados, trabalhadores, empreiteiros, investidores, clientes, consumidores etc.)”.

Partindo do princípio de que estamos no contexto de uma sociedade capitalista que prioriza a promoção de cadeias de valores que se retroalimentam a partir do fornecimento e/ou recebimento de valor (produtos e serviços), no uso infindável de matéria prima oriundo dos recursos naturais, devemos nos perguntar:


A partir de minhas necessidades, constituídas de representações sociais, na perspectiva de uma vida com qualidade baseada na cadeia de valores do sistema econômico vigente, como estou contribuindo para a destruição do lugar onde vivo / trabalho (casa, município, estado, país, planeta)?


Diante do questionamento feito, é preciso analisar elementos / estruturas que fazem parte do nosso cotidiano, tais como:


Mobilidade da classe média x Mobilidade dos trabalhadores (II)


- Uso de transporte individualizado, automóveis, em detrimento do transporte público, que é usado por trabalhadores e seus familiares;


- Entre os transportes individualizados / familiar movido a combustíveis fósseis (diesel e/ou gasolina), altamente poluente, o de maior preferência entre as classes média e alta da sociedade brasileira, é o SUV (Sport Utility Vehicle), criado em 1970 nos Estados Unidos, definido pelo mercado automobilístico, em suas publicidades, como sendo o modelo que mais “empondera”, dar status e sentido de ser “vitorioso(a)”, reforçando o conceito de “meritocracia” tão habilmente disseminado no final da década dos anos 90 e início dos anos 2000 (JAGUAR, s/d).


- Drehmer (2022), afirma que “um estudo da Bright Consulting, empresa especializada em consultoria automobilística para o setor automotivo, prevê que em 2030, metade dos veículos vendidos no Brasil será SUV”;


- Sobre o consumo do automóvel mais “queridinho” da classe média, Feldman (2020) não deixa dúvidas de que os SUVs consomem mais “por vários motivos: o SUV é mais alto, é mais comprido e mais pesado do que um automóvel, o que resulta num maior consumo de combustível em qualquer tipo de trânsito. Segundo o autor, “o consumo ainda fica mais prejudicado na estrada, pois ele tem um outro fator contrário em velocidades mais elevadas: por ser mais alto, tem pior coeficiente aerodinâmico, o que o torna ainda mais beberrão”.


- As afirmações de Feldman (2020) não deixam dúvidas de que o tipo de automóvel mais “desejado” entre a população que possui melhor poder aquisitivo, é o que mais consome um dos combustíveis mais poluentes, o óleo diesel, que contribui para o desenvolvimento de processos cancerígenos em seres humanos, bem como para o aquecimento global, ao eliminar gases que aceleram o efeito estufa, que são tóxicos e altamente cancerígeno, na atmosfera.


- Outro problema ambiental causado pela aquisição de automóveis, enquanto transporte individual, é a produção de um produto com pouca durabilidade, estimulando a troca de um bem material que deveria ter a garantia de durabilidade de uso, no mínimo de 10 anos, como ocorre nos países europeus.


- Os padrões de qualidade para o motor de automóveis em Portugal têm, em geral, um mínimo de 150.000 quilômetros e uma duração média de cerca de 250.000 quilômetros, dependendo do uso e da manutenção. Em relação a peças fixas, como peças de acabamento ou de plástico, e levando em conta que essas peças devem ser recicláveis, é estimável uma duração média de aproximadamente 10 anos. Da mesma forma, a qualidade da carroçaria é garantida por um mínimo de 10 anos, enquanto a instalação elétrica - e não os componentes elétricos - tem uma durabilidade ilimitada. (ACP, s/d)


No Brasil, proprietários de um automóvel com 2/3 anos de uso, são estimulados a trocá-lo. Diante disso é necessário questionar:

> O que é feito de todo o lixo oriundo do troca-troca que as empresas automobilistas “impõem”, via mídia, aos consumidores brasileiros?

> A quem interessa a “imposição social” de que todos precisam ter um automóvel para comprovar seu sucesso pessoal e profissional?

> Quem ganha vendendo um produto pouco durável, altamente poluidor e muito caro?

- Atualmente, segundo o Sindinesfa (Sindicato das Empresas de Sucata de Ferro e Aço), apenas 1,5% das carcaças apodrecidas e das peças enferrujadas dos automóveis descartados, abandonadas em pátios e ferros-velhos em todo o país são recicladas. O número é irrisório diante da capacidade de reciclagem de um automóvel: plásticos, vidros, pneus e metais, que correspondem a 10% de um veículo, também podem ser reciclados. A ação ajudaria a reduzir a emissão de gases de efeito estufa e o consumo de recursos naturais para fabricação de outros produtos. (DINÂMICA AMBIENTAL, 2019)

- Na outra ponta, os trabalhadores, com menor poder aquisitivo, sem alternativas, em sua maioria, são obrigados a se locomoverem para suas casas e/ou trabalho, usando meios de transportes decadentes, sem higiene, inseguros, em número insuficiente e altamente poluentes (uso de óleo diesel ou gás), os chamados transportes coletivos rodoviários (ônibus). Nas principais capitais há, também, o transporte metroviário, ainda em número insuficiente e que não atende a demanda populacional, infelizmente.



- A intensa utilização do óleo diesel tanto em automóveis quanto nos ônibus, “desencadeia vários problemas ambientais”. Liberam altos índices de monóxido de carbono [CO2], óxido de nitrogênio [NO2], enxofre, entre outros poluentes que contribuem para o aumento de diversos tipos de câncer, doenças respiratórias etc., contribuindo também para o processo de aquecimento global / alterações climáticas. (FRANCISCO, s/d)


Portanto, exigir dos gestores públicos, meios de transportes coletivos de qualidade (metrôs, trens etc.), a base de energia limpa, será um passo importante para o rompimento da imposição do uso “simbólico” de sucesso (representação social) a partir do possuir / ter um automóvel enquanto meio de locomoção individualizado, sinônimo de empoderamento e qualidade de vida.


Como é possível defender a minha qualidade de vida, em detrimento da

qualidade de vida do outro, da qualidade de vida do planeta?

Alimentos: produção e transporte (III)


- Hoje, a maioria da cadeia de produção alimentar para exportação do Brasil está vinculada ao agronegócio e à indústria (alimentos processados e ultraprocessados), tornando o país em um dos maiores produtores de grãos e gêneros alimentícios do mundo. Entretanto, toda essa produtividade não alimenta sua população e, pior, promove uma degradação ambiental sem precedentes;


- A produção e consumo de alimentos à base de sementes transgênicas e agrotóxicos, tem gerado lucros exorbitantes (na casa dos bilhões) aos latifundiários, pecuaristas e indústria química e, ao mesmo tempo, promove a poluição do solo, da água e do ar, além do alto nível de toxidade impregnados nos alimentos. Sobre o uso de sementes transgências e agrotóxico, Pereira (2013) ressalta que


a questão dos transgênicos envolve questões políticas que deveriam, sim, ser divulgadas entre a população “leiga”. Desde sua chegada no Brasil (em 1997, com a “soja maradona”), os Organismos Geneticamente Modificados (OGMs) têm sido alvo de polêmicas e muita desinformação ao consumidor – o mais atingido pelas decisões dos “técnicos”. Não há consenso quanto às consequências dessa tecnologia para a saúde e os ecossistemas, especialmente quanto ao uso cumulativo de agrotóxicos”.



- Estudos realizados pela Profa. Dra. Solange da Fonseca Rutz, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), alertam para o fato de que, as alterações na biodiversidade causadas por plantas alteradas artificialmente em laboratório, devem ser bem piores, “referindo-se aos danos que as lavouras transgências possam causar ao meio ambiente como um todo” (OLIVEIRA, 2016). (Grifo nosso)

- A poluição do solo com o uso de agrotóxicos, causa a morte de organismos e microrganismos que nele habita e que são responsáveis por sua nutrição: minhocas, fungos, bactérias etc. "Como o solo é capaz de reter grande quantidade de contaminantes, com o tempo, os agrotóxicos fragilizam-no e reduzem a sua fertilidade. Eles também podem desencadear a morte de micorrizas, diminuir a biodiversidade do solo, ocasionar acidez, entre outros problemas." (SANTOS, s/d).


- A poluição da água (córregos, rios, lagos, lençóis freáticos e oceano), causados pelo uso de fertilizantes, agrotóxicos em grande quantidade nas monoculturas de soja, milho, cana de açúcar, mas, também, de frutas para exportação, se dá a partir do carreamento pela chuva, pela penetração no solo chegando aos lençóis freáticos e pela lavagem de utensílios utilizados no armazenamento e uso das diversas substâncias químicas a base de benzeno, matéria-prima da maioria dos agrotóxicos, afirma Dra. Sílvia Brandalise da UNICAMP. Segundo a professora de Ciências Médicas, “o agrotóxico é extremamente prejudicial à saúde, podendo disseminar o câncer” (In: NAIME, 2018), bem como lesões renais e hepáticas, alterações genéticas, doença de Parkinson, problemas neurológicos, dificuldades respiratórias, irritações na pele, manifestações gastrointestinais, alterações no sistema reprodutor masculino e feminino, além de cânceres como no cérebro, mama, esôfago, de pele e sistemas digestivo e de reprodução. (MANCINI, 2019)

“O agrotóxico, a maior parte deles, tem como matéria-prima básica os derivados de benzeno. Os derivados de benzeno têm como ação importante a quebra de cromátides, que são elementos que compõem o cromossoma. Uma exposição aos derivados de benzeno ou à radiação, você consegue fazer uma mutação. O câncer e outras doenças, que são mutações sucessivas, vão acontecendo na célula cronicamente exposta a esses produtos” , conclui Dra. Brandalise, apud Naime, 2018.


- Como se nada disso bastasse, Naime (2018), afirma que (…) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou um estudo sobre o saneamento básico no país, revelando que “Se constata que os resíduos de agrotóxicos são a segunda principal fonte de contaminação das águas brasileiras, atrás apenas do esgoto sanitário. As altas concentrações desses produtos químicos causam a morte de diversas espécies de vida aquática (como plantas, peixes, répteis e mamíferos), por fim matando o próprio rio.


- Em relação a poluição do ar em consequencia da pulverização de agrotóxico, o professor/médico Wanderlei Pignatti, em convênio com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), realizou em sua tese de doutorado, transformada no documentário “Nuvens de vento”, “uma ampla pesquisa sobre o impacto do agrotóxico na saúde coletiva e na saúde dos trabalhadores, além do impacto no meio ambiente. Ele mediu a contaminação de agrotóxicos nos poços artesianos, mediu a propagação pelo ar, pela deriva, mediu o problema dos desmatamentos nas nascentes dos rios, além das consequências das aplicações dos agrotóxicos na saúde das populações ribeirinhas e populações adjacentes”. (…) (ECO DEBATE, 2016)


- Outro problema trazido pelo documentário foi a dificuldade dos horticultores orgânicos, vizinhos dos grandes produtores agrícolas, consumidores de agroquímicos, de conseguirem um selo orgânico nas suas plantações, pois o vento leva uma parte dos agroquímicos aplicados nas grandes plantações, para as suas hortas ou plantações orgânicas. (ECO DEBATE, 2016)


“… devido a pulverização de agrotóxicos, próximo às comunidades, os gramados e plantas locais amarelam e secam, além da contaminação dos lençóis freáticos, nascentes e poços artesianos que atendem à população local. A lavagem dos aviões que pulverizam os agrotóxicos, é feita sem controle ou filtragem da água, que cai no solo e vai infiltrando, até chegar nos lençóis freáticos”. (ECO DEBATE, 2016)


É necessário destacar, também, que decisões políticas equivocadas de gestores no Brasil, que permitem o transporte dos cereais, frutos, alimentos industrializados etc., produzidos pelo agronegócio, seja realizado via malha rodoviária, exigindo a existência de uma frota de milhares de caminhões circulando pelos milhares de quilômetros de rodovias país a fora, contribuem ainda mais com a poluição da atmosfera do país com os gases tóxicos oriundos do uso do óleo diesel.



Desmatamento e a destruição de biomas (IV)


- Um elemento chave para o avanço e otimização produtiva do agronegócio no Brasil, é a prática de grilagem e desmatamento. Terras públicas, principalmente de povos originários (Indígenas) e comunidades tradicionais (Quilombolas, Comunidades de Pasto, Ribeirinhos etc.), são invadidas e usurpadas; em seguida, toda a mata nativa ou mesmo os cultivos feitos a partir da agroecologia, são simplesmente devastados, para darem espaço ao cultivo de monoculturas (soja, algodão, milho etc.) ou a criação de gado bovino.


- Todos os biomas brasileiros ( Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pantanal e Pampas) estão ameaçados, entretanto, atualmente os que mais tem sofrido com desmatamento e/ou incêndios gigantescos são a Amazônia e o Cerrado (principalmente na região do MATOPIBA). (THOMAS, 2021)


Plástico “nosso” de cada dia (V)


- O plástico é, certamente, o produto industrializado mais presente na vida de cada um dos habitantes, humanos, desse planeta. A utilização do plástico nos diversos setores da vida contemporânea, como construção civil, aviação, automobilístico, eletrônico, informática, saúde, embalagens, alimentação, calçados, roupas entre outros, é quase impossível imaginar a vida sem esse material.



- A indústria do plástico surgiu por volta de 1860, quando o inglês Alexandre Parkes iniciou seus estudos com o nitrato de celulosa, que é um tipo de resina, que se caracteriza por sua flexibilidade, resistência à água, cor opaca e facilidade para pintura. Trinta anos depois, em 1890 o tipógrafo americano John Wesle Hyatt, “que já havia pesquisado e estudado sobre tal material, o aperfeiçoou e o chamou de celuloide – uma versão comercial do nitrato de celulosa com adição de piroxilina, cânfora, álcool, polca de papel e serragem e, então surgiu a primeira matéria plástica artificial” (PLÁSTICO VIRTUAL, s/d), que passou, ao longo dos anos, a ser usado em várias situações do trabalho industrial, bem como o doméstico.

- A intensidade do uso do plástico na vida cotidiana tem gerado, de acordo com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), aproximadamente 400 milhões de toneladas de resíduos plásticos a cada ano; uma parte desse consumo está depositada em aterros sanitários, enquanto a grande maioria são descartadas no ambiente terrestre e aquático, trazendo impactos negativos nos ecossistemas, na saúde humana e na vida selvagem (BENNET e ALEXANDRIDIS, 2021).


- Sobre a intensidade do uso do plástico no dia a dia da população humana, o absurdo é tão grande que, o que há pouco anos se considerava inimaginável, tem sido comprovado por pesquisadores: já é possível encontrar microplásticos em vegetais como maçãs, cenoura e em hortaliças (CONTI, 2020); em animais como sardinhas em conserva; no sal, cerveja, mel, açúcar, água mineral em garrafas (KARAMI et al., 2017; KOSUTH et al., 2018; MASON et al., 2018; SCHYMANSKI et al., 2018) e, inclusive, em placenta (REGUZA et al. (2021) e sangue humanos (LESLIE et al., 2022).


Como foi visto até aqui, apontamos alguns aspectos que representam a forma de vida humana na Terra, seus impactos no ambiente e na sua qualidade de vida.


A forma como estamos permitindo que um pequeno grupo de pessoas, cerca de 1% da população mundial, DETERMINE como devemos conduzir nossas vidas, desde os aspectos mais básicos, como a alimentação até o mais supérfluo, como a aquisição de bens materiais definidos pelo “modismo” e todo o simbolismo que carregam, tem COLABORADO COM A DESTRUIÇÃO da nossa casa maior, o planeta Terra e, de prêmio, fortalece uma qualidade de vida cada vez mais negativa, que pode se perpetuar caso continuemos aceitando as imposições do sistema econômico vigente, sem qualquer senso crítico, passivamente.






[1] Docente do curso de Licenciatura em Ciências Biológicas da Universidade do Estado da Bahia—UNEB / DEDC / CAMPUS VIII. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/0838920937933125



Referências


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BENNETT, E. M.; ALEXANDRIDIS, P. Informing the Public and Educating Students on Plastic Recycling. Recycling, v. 6, n. 4, p. 69, 2021.


COGGIOLA, Osvaldo. As premissas da contemporaneidade. A Terra é Redonda. Publicada em 23/08/2021. Disponível em: https://aterraeredonda.com.br/as-premissas-da-contemporaneidade/


CONTI, G. O. et al. Micro-and nano-plastics in edible fruit and vegetables. The first diet risks assessment for the general population. Environmental Research, v. 187, p. 109677, 2020.


DINÂMICA AMBIENTAL. Apenas 1,5% das carcaças de carro são recicladas. Dinâmica Ambiental. Publicação em 23 de maio de 2019. Disponível em: https://www.dinamicambiental.com.br/blog/reciclagem/apenas-15-das-carcacas-de-carro-sao-recicladas/


DREHMER, Vitória. O que é SUV? Conheça o tipo de carro queridinho dos brasileiros. Auto Esporte / Carro. Publicado em 11/04/2022. Disponível em: https://autoesporte.globo.com/carros/noticia/2022/04/o-que-e-suv-conheca-o-tipo-de-carro-queridinho-dos-brasileiros.ghtml


DOMINGUES, Juliana Pereira; OLIVEIRA, Denize Cristina de; MARQUES, Sergio Correa. Representações Sociais da qualidade de vida de pessoas que vivem com HIV/AIDS. Texto Contexto Enferm, 2018; 27(2):e1460017. Disponível em: https://www.scielo.br/j/tce/a/5R9K5zZmctvRtgTzwMwkL3S/?format=pdf&lang=pt


ECO DEBATE. Nuvens de Veneno: documentário fala sobre problemática do uso de agrotóxicos. EcoDebate. Publicado em 22/01/2016. Disponível em: https://www.ecodebate.com.br/2016/01/22/nuvens-de-veneno-documentario-fala-sobre-problematica-do-uso-de-agrotoxicos/


FELDMAN, Boris. Consumo do SUV é maior que o do automóvel? AutoPapo / Uol. Publicado em 01 de setembro de 2020. Disponível em: https://autopapo.uol.com.br/blog-do-boris/suv-consumo-combustivel/


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