ELABORAÇÃO DO PENSAMENTO CIENTÍFICO: PERCEPÇÕES HISTÓRICAS ACERCA DE EPISTEMOLOGIAS EUROCÊNTRICAS[1]

XAVIER, Josilda B. Lima M[2].

Universidade do Estado da Bahia - UNEB


Conhecer o processo de desenvolvimento da elaboração do pensamento científico exige reflexões sobre as estratégias utilizadas ao longo dos séculos, em várias áreas do conhecimento, na perspectiva eurocêntrica, hegemônica, enquanto oportunidade de aprofundar conceitos e entendimentos dos temas que são trabalhados nas matrizes curriculares no Ensino Básico e no Ensino Superior.


Bauer (2012) argumenta que “Existem diferentes definições de ciência construídas historicamente no mundo ocidental, abarcando uma vasta gama de tendências teóricas que pautaram o tema entre as suas mais sinceras preocupações intelectuais”. O contexto apresentado pelo autor, exige que se faça o destaque pontual sobre o conceito político de “mundo ocidental” analisado na atualidade, enquanto área política-geográfica que abrange os países que formam a comunidade européia (CE), países da América do Norte (EUA e Canadá), e as colônias monarquistas inglesas: Austrália e Nova Zelândia. (SILVA, 2022)


Para tanto, vamos “navegar” na história da construção da ciência eurocentrada/estadunidense, analisando e refletindo sobre alguns processos de construção do pensamento científico a partir das abordagens de seus principais epistemólogos:


1. Edmund Husserl (1859-1938) – Fenomenologia

Matemático e filósofo alemão, desenvolveu a Teoria da Fenomenologia no início do século, na Alemanha, a partir de influências do pensamento de Platão, Descartes e Brentano, influenciando muitos pensadores ao longo dos séculos XIV e XX, tais como Martin Heidegger (1889-1976), filósofo alemão; Alfred Schutz (1899-1959), filósofo e sociólogo austríaco; Jean Paul Sartre (1905-1980), filósofo francês; Maurice Merleau-Ponty (1908-1961), filósofo fenomenólogo francês; não só na Europa, e, também, com repercussão nos Estados Unidos. Atualmente, no início do século XXI, a fenomenologia continua influenciando estudiosos em todos os continentes. (OLIVEIRA E SILVA; LOPES; DINIZ, 2008).


A gênese da Fenomenologia deriva das palavras gregas “phainesthai” que significa “aquilo que se mostra”, e “logos” que significa “estudo”. Portanto, em sua etimologia, significa estudo dos fenômenos, daquilo que aparece à consciência, daquilo que é dado, o “estudo do que se mostra”. A fenomenologia pretende ser “ciência das essências” e não de dados de fato “método de investigação”, como diz Heidegger em “Ser e tempo”. Ou seja, “a expressão ‘fenomenologia’ significa, antes de tudo, um conceito de método” (HEIDEGGER, 2006, p. 66 apud LIMA (Org.), 2014), para a elaboração do conhecimento filosófico.


MERLEAU-PONTY (1999), esclarece que a premissa da fenomenologia é o “estudo das essências, e todos os problemas, segundo ela, resumem-se em definir essências: a essência da percepção, a essência da consciência, por exemplo”. Tem a pretensão de “uma filosofia que seja uma 'ciência exata', mas é também um relato do espaço, do tempo, do mundo ‘vividos’” onde se busca descrever a experiência humana tal como ela é, sem considerar a “gênese psicológica e às explicações causais que o cientista, o historiador ou o sociólogo dela possam fornecer”.

O método fenomenológico consiste em mostrar o que é apresentado e esclarecer os diversos fenômenos (naturais, sociais, psicológicos etc.) como se apresentam. Para a fenomenologia o objeto de pesquisa é como o sujeito o percebe, e tudo tem que ser estudado tal como é para o sujeito e sem interferência de qualquer regra de observação cabendo a abstração da realidade e perda de parte do que é real, pois tendo como objeto de estudo o fenômeno em si, estuda-se, literalmente, o que aparece. Santos (2021), esclarece que “o modelo fenomenológico não pode ser enquadrado como método dedutivo nem empírico. Consiste em mostrar o que é dado e em esclarecer este dado.” Para a fenomenologia um objeto, uma sensação, uma recordação, enfim, tudo tem que ser estudado tal como é para o espectador.


2. Gaston Bachelard (1884-1962) – Filosofia da ciência

Químico, filósofo e poeta francês, desenvolveu suas ideias a partir de uma filosofia das Ciências Naturais, especialmente a Física, contribuindo para uma epistemologia que também utiliza métodos da psicanálise.


Bachelard é o primeiro filósofo a criticar de forma veemente a visão tradicional de ciência, a perspectiva empírica-indutivista. (MELO, 2005). Em sua epistemologia, o filósofo francês “tece duras críticas ao ensino de Ciências, principalmente ao seu aspecto determinista, linear e comunicador de verdades prontas”; para ele o modelo bancário, centrado na passividade do estudante, onde o professor transmite conhecimentos prontos, é altamente criticável, por não considerar a complexidade do processo. (DUTRA, 2015).


Yamazaki (2011, p. 56 apud NASCIMENTO, 2021) afirma que, para Bachelard,


[...] a Ciência é uma construção complexa, longe do senso comum, não podendo, esta última, compreender por justaposição toda uma série de leis abstratas construídas historicamente. Esta forma de situar a ciência como um sistema demasiadamente complexo quando comparado com as observações e experiências do senso comum, incluindo os experimentos do Laboratório Didático, vem de um profundo estudo das leis que regem as Ciências.


Considerando a complexidade da elaboração do conhecimento científico, tendo como parâmetros as subjetividades e experiências dos sujeitos, Gaston Bachelard (1996 apud NASCIMENTO, 2021) propõe


uma ruptura com a cultura experimental sedimentada na vida cotidiana dos estudantes, ou seja, mudar a forma como esses veem a ciência, uma vez que fazer ciência é muito mais que realizar simples experimento. Entretanto, romper com esses obstáculos sedimentados pela vida cotidiana desses alunos e um grande desafio a ser enfrentado.


Entretanto a ruptura proposta por Bachelard, para que um novo conhecimento seja elaborado, está ancorado no fato de que “no ato de conhecer, em sua visão, o sujeito diante de um novo conhecimento tende a buscar familiaridade com aquilo que conhece” (SILVA, 2015), procurando relacioná-lo com o conhecimento que está enraizado e que lhe é familiar.


Para Nascimento (2021), analisando a epistemologia da ciência de Bachelard, “O obstáculo está na não aceitação do novo conhecimento e que são necessárias rupturas no que sabe oportunizando assim um novo olhar, dando a este um caráter novo, ou melhor, um caráter científico”. Para o autor, Bachelard denomina “obstáculos epistemológicos por esses surgirem no próprio ato de conhecer da relação do sujeito e o objeto do conhecimento”, dificultando o surgimento do novo conhecimento.

A elaboração do conhecimento científico, a partir da nova Filosofia da Ciência de Gaston Bachelard, evidencia que a “epistemologia tradicional valoriza como ciência um conhecimento absoluto, verdadeiro e indubitável, ao passo que a partir da Nova Filosofia da Ciência compreende-se o caráter científico por uma natureza conjectural, naturalmente falível, e recheada de incertezas” (MOREIRA, 2016), possibilitando a formação de debates no Ensino de Ciências sobre as interfaces epistemológicas e as práticas docentes, o que pode representar uma relevante ferramenta potencializadora à formação de professores críticos, atentos à complexidade que envolve a elaboração do conhecimento científico.


Enquanto um dos principais pensadores da era Moderna, Gaston Bachelard, apresenta a Filosofia da Ciência como uma epistemologia aberta, “pois seus princípios não são intocáveis e suas verdades não são totais e acabadas”; o filósofo considera que o ser humano a partir de sua totalidade, compreendendo que “razão e imaginação são caminhos fundamentais e indispensáveis para a nossa constituição” (MACHADO, 2016) e, portanto, para a elaboração do conhecimento.


3. Karl Raimund Popper (1902-1994) – Falseabilidade

Filósofo e professor austro-britânico, migrante na Nova Zelândia, publicou a obra “Lógica da Investigação Científica” (1935), considerada uma das obras mais importantes de Filosofia da Ciência. Fez parte do Círculo de Viena, uma associação fundada na década de 1920 por um grupo de cientistas, lógicos e filósofos que concentrava seus esforços em torno de um projeto intelectual que pretendia o desenvolvimento de uma filosofia da ciência baseada em uma linguagem e procedimentos da lógica e com alto rigor científico. (SANTOS, 2022)


Karl Popper (1935), em sua obra mais importante, “A Lógica da Investigação Científica” inova a discussão epistemológica sobre a pesquisa científica ao “demonstrar que o erro, em vez de ser um mal que pode ser evitado através do recurso a algum procedimento metodológico específico, constitui componente inevitável de qualquer teoria científica, sendo na realidade o motor pelo qual a ciência se move” (SCHMIDT; SANTOS, 2007).


O criador do “princípio da falseabilidade”, enquanto meio de ratificar o conhecimento científico, Popper (1972), afirma que


Um dos ingredientes mais importantes da civilização ocidental é o que poderia chamar de 'tradição racionalista', que herdamos dos gregos: a tradição do livre debate – não a discussão por si mesma, mas na busca da verdade. (...) Dentro dessa tradição racionalista, a ciência é estimada, reconhecidamente, pelas suas realizações práticas, mais ainda, porém, pelo conteúdo informativo e a capacidade de livrar nossas mentes de velhas crenças e preconceitos, velhas certezas, oferecendo-nos em seu lugar novas conjecturas e hipóteses ousadas. A ciência é valorizada pela influência liberalizadora que exerce – uma das forças mais poderosas que contribuiu para a liberdade humana. (p. 129)


A ciência, na perspectiva popperiana, é produzida através de uma permanente construção de hipóteses e de sua comparação com a realidade. Schmidt; Santos (2007), ressaltam que Karl Popper “concebe a ciência como uma sucessão de pensamentos, frutos da imaginação criadora do homem, que historicamente se aproxima cada vez mais da verdade”; os autores argumentam que para Popper, em um certo grau, o homem, no processo de elaboração do conhecimento “transforma essa mesma verdade, ao transformar o mundo que nos cerca”.


Contrariando os “postulados positivistas de que a linha divisória entre a ciência e a metafísica corresponde ao que tem sentido do que não tem, ou do que pode ser confirmado, ou verificado ou não” – princípio da verificabilidade proposto pelo Círculo de Viena -, Popper estabeleceu como “critério de demarcação entre ciência e metafísica: a falseabilidade, ou seja, toda proposição que possa ser refutada por experiência empiricamente observável é científica; caso contrário, a proposição em questão é metafísica. (SANTOS, 2022; SCHMIDT; SANTOS, 2007).


Com o princípio da falseabilidade, Popper “estabeleceu o momento da crítica de uma teoria como o ponto em que é possível considerá-la científica. As teorias que não oferecem possibilidade de serem refutadas por meio da experiência devem ser consideradas como mitos, não como ciência”; portanto, “Dizer que uma teoria científica deve ser falseável empiricamente significa dizer que uma teoria científica deve oferecer possibilidade de refutação – e, se refutadas, não devem ser consideradas” (SANTOS, 2022).


Ao mesmo tempo, na concepção epistemológica de Karl Popper, onde o princípio da falseabilidade conduz à busca constante da verdade científica, ao transformar o mundo que o cerca, o homem parece afastar a “verdade” para “uma fronteira cada dia mais distante, sempre capaz de uma explicação cada vez mais abrangente dos fenômenos observáveis, movida sempre pela crítica de nossos erros e pela refutação sucessiva das teorias, uma após a outra, refutações estas que colocarão novos problemas a serem enfrentados, novas perguntas a serem respondidas (SCHMIIDT; SANTOS, 2007), demonstrando que um progresso cientifico não consiste em “acumulação de observações, mas em superação de teorias menos satisfatórias e sua substituição por teorias melhores, ou seja, por teorias de maior conteúdo”.


Desse modo, o progresso do conhecimento científico, na concepção popperiana, não pode ser pensado a partir de uma “lei histórica”, e sim algo que acontece em virtude da própria razão humana a partir da possibilidade de discussão crítica. Assim, é possível perceber que “seu projeto consiste em uma tentativa de preservar o debate livre e crítico e a avaliação constante das ideias para que essas sejam aperfeiçoadas" (SCHMIIDT; SANTOS, 2007), podendo ecoar no contexto societário.


4. Wilhelm Christian Ludwig Dilthey (1833-1911) – Historicismo

Filósofo hermenêutico, psicólogo, historiador e pedagogo alemão, desenvolveu, entre o fim do século XIX e início do século XX, a concepção filosófica denominada de Historicismo, também conhecida por historismo.


A necessidade de deixar registrados fatos/fenômenos ocorridos, é uma necessidade humana, explicitada desde tempos imemoriais, quando nossos ancestrais registravam acontecimentos, em suas primeiras manifestações culturais, através de inscrições feitas sobre suportes rochosos abrigados (cavernas e grutas) ou ao ar livre (paredões e lajedos) -, onde retrataram suas crenças, seus rituais, suas descobertas e seu cotidiano usando extratos de plantas, carvão, sangue e fragmentos de rochas. (VIANA et al, 2016). Desse modo, as chamadas pinturas rupestres, podem ser consideradas os primeiros registros históricos da humanidade.


No que se refere a historiografia como a conhecemos, Barros (2012), ressalta que “Não há grandes discordâncias entre os historiadores a respeito do momento em que, na história da historiografia ocidental, começa a surgir uma nova historiografia já auto-identificada como científica”, que se inicia no final do século XVIII e início do século XIX, e que se contextualiza na Revolução Industrial (1760-1840), na Grã-Bretanha, e no mundo político-social que emerge dos desdobramentos da Revolução Francesa (1789-1799) e da Restauração (monarquia constitucional, em 1830).


Para o reconhecimento das chamadas Ciências Humanas enquanto áreas de formulação do conhecimento científico, Wilhelm Dilthey (1833-1911) delineou a especificidade metodológica das ciências históricas, já iniciada por historiadores que o antecederam, elaborando a “a mais sofisticada defesa da necessidade de delinear uma postura metodológica específica para a História e para as demais ciências do espírito, por oposição ao padrão das ciências da natureza” (BARROS, 2012).


Sua formação hermenêutica, além de filósofo e historiador, certamente influenciou Wilhelm Dilthey, em sua forma de pensar. Ele “defendia que os fenômenos humanos são históricos, eles eram dotados de valor, significado, sentido e finalidade” e, essas razões deveriam ser observadas de que “as pesquisas da área das ciências humanas não deveriam usar os mesmos métodos das ciências da natureza” (SANTANA, 2020).


Considerando as características específicas das ciências humanas, Dilthey defendia a necessidade de “criar um novo método que fosse capaz de decifrar qual o sentido dos fatos humanos” (SANTANA, 2020). A metodologia elaborada por ele, a da causalidade histórica, definiria que as pesquisas deveriam considerar que i) Os fenômenos da humanidade são históricos e temporais; ii) As análises devem ser feitas observando o momento histórico e as fases de desenvolvimento da sociedade; iii) No historicismo também devem ser observados os fatores políticos, religiosos, sociais, econômicos, psíquicos, técnicos e artísticos. (SANTANA, 2020; BARROS, 2012)


Barros (2012) chama a atenção que, para Wilhelm Dilthey,


a História – ou qualquer outra as hoje chamadas ciências humanas – estaria vinculada à necessidade de “compreender” (Verstehen) os fenômenos humanos, de entendê-los não apenas em sua forma externa, mas também por dentro, perscrutando seus sentidos, suas implicações simbólicas, ideológicas, vivenciais, ou, em uma palavra, seus significados. Esta oposição entre a “compreensão” típica das ciências humanas, e a “explicação” típica das ciências naturais, tornar-se-ia clássica, uma referência não apenas para o historicismo como, de modo geral, para boa parte da historiografia do século XX em diante. A partir daí, iremos encontrar em autores diversos, e também fora dos quadros do historicismo, a idéia de uma separação mais clara entre as “ciências da natureza” e as “ciências da sociedade”.


A forma de pensar do mais proeminente criador da concepção filosófica sobre a elaboração do conhecimento, na perspectiva histórica, Wilhelm Dilthey, se revela em seu posicionamento sobre sua forma de viver, reproduzido[3] na figura abaixo:



5. Stephen Toulmin (1922-2009) – Argumentação

Filósofo britânico conhecido principalmente por suas contribuições aos estudos da argumentação. “O termo argumentação será usado para referir toda a atividade de apresentar teses, desafiá-las, reforçá-las através de razões, criticar essas razões, refutar essas críticas, e por aí em diante” (TOULMIN; RIEKE; JANIK, 1984 apud GRACIO, s/d)


Nascimento e Vieira (2008), afirmam que “A pesquisa em Educação Científica, nos últimos anos, tem focalizado a dimensão discursiva da sala de aula adotando a teoria sociocultural, segundo a qual uma das chaves para o entendimento da ação humana é o conceito de mediação”. Portanto, cabe ao professor, em sala de aula, realizar a mediação entre o conhecimento científico e o conhecimento que os alunos trazem consigo, sobre a temática a ser abordada.


Considerando a etimologia da palavra mediação, que é um conceito de origem nômade, entre o grego mesou (ideia de totalidade) e o latim mediatio, é possível inferir que mediar é a ação que se estabelece em um sistema de relações entre as partes e o todo; atividade que é um “processo de produção de meios de subsistência a partir de objetos socialmente elaborados, onde os artefatos são os agentes que promovem a mediação entre o ser humano e a natureza” (LENOIR, 1996).


A questão da argumentação tem sido abordada em diversos campos e é um tema emergente nas pesquisas de linguagem e cognição em sala de aula. Do ponto de vista clássico, a argumentação é considerada a “arte de pensar corretamente” e muitas vezes é tomada como sinônimo da lógica formal e, desde as formulações retóricas de Aristóteles até o fim do século XIX, foi incluída em um domínio mais amplo das argumentações retóricas, dialéticas ou lógicas (PLANTIN, 2005 apud NASCIMENTO; VIEIRA, 2008).


Argumentar é, portanto, defender racionalmente uma ideia ou opinião a partir dos diversos conteúdos/temas que darão sua sustentação, de modo que seja possível levar o interlocutor a aceitar como válida a ideia ou opinião apresentada. Uma argumentação eficaz é dependente da consistência e da força persuasiva dos argumentos que podem estar inseridas na dimensão da lógica (razão) e/ou na dimensão prática (convencimento do receptor). A “argumentação tem uma grande importância na vida social, porque é a ela que se recorre para justificar certos comportamentos ou para influenciar o comportamento de outras pessoas” (TORRES, s/d) e, como não poderia deixar de ser na interpretação de dados emergidos de uma investigação, bem como a transposição didática do conhecimento científico elaborado para uma linguagem coloquial, acessível/compreensível para os interlocutores que não pertencem a área científica do(s) conteúdo(s)/tema(s) abordado(s). (BARROSO, 2013)

Nascimento e Vieira (2008), destacam que ao procurar romper com as certezas na lógica formal, “o filósofo Stephen Toulmin (2001) procura evidenciar que o nosso cotidiano é permeado pela argumentação: advogados argumentam, famílias argumentam, cientistas argumentam”. Para Toulmin, “Opiniões, tomadas de posições, enunciações de fatos e, ao mesmo tempo, um conjunto das crenças, dos valores, das representações de mundo permeiam nossas situações argumentativas, mas nem sempre se constituindo em estruturas argumentativas coerentes”.


Para superar os limites de estruturas argumentativas coerentes, Toulmin(2001), para aumentar sua eficácia, propõe o “aspecto dialogal como padrão” que, de acordo com Cappechi e Carvalho (2004), o padrão de Toulmin é considerado uma ferramenta poderosa para a compreensão da argumentação no pensamento científico”.


O padrão argumentativo elaborado por Toulmin (2001), é uma estrutura que:

1. Relaciona dados e conclusões mediante leis de passagem de caráter hipotético; 2. Mostra assim o papel das evidências na elaboração de afirmações; 3. Realça as limitações de dada teoria; 4. Realça a sustentação de dada teoria em outras teorias; 5. Os qualificadores e refutações indicam a capacidade de ponderar diante de diferentes teorias com base n evidência apresentada por cada uma delas e; 6. Ajuda a relacionar características do discurso com aspectos da argumentação científica. (NASCIMENTO; VIEIRA, 2008)

As autoras (MENDONÇA; JUSTI, 2013) destacam que, segundo o esquema de Toulmin (2001), um argumento é constituído por seis componentes:


1. Dados: evidências que suportam uma afirmativa.

2. Conclusão: afirmativa cujo mérito deverá ser estabelecido.

3. Garantia: afirmativa que justifica as conexões entre dados e conclusão.

4. Apoio: afirmativa que justifica a garantia.

5. Qualificador modal: elemento que qualifica a conclusão em função da ponderação entre os elementos de justificativa e de refutação.

6. Refutação: específica em que condições a garantia não é válida para dar suporte à conclusão.


No domínio da lógica formal, ao se avaliar a qualidade de um argumento, é necessário verificar se o “argumento é entendido com um conjunto de proposições, cuja relevância está na verdade ou falsidade delas, sendo que o contexto mais amplo do diálogo não é levado em consideração no julgamento da qualidade daquele argumento (WALTON, 2006).


Para que se tenha o domínio de estratégias avaliativas da qualidade de um argumento, Queiroz (2013) será necessário que se alcance alguns objetivos: Dominar a argumentação nos processos constitutivos da prática científica; Selecionar práticas argumentativas na investigação e no ensino de ciências; Elaborar e analisar à luz de referenciais teóricos sobre argumentação; Argumentar e construir o conhecimento nas aulas de ciências; Identificar as relações entre argumentação e o ensino e aprendizagem baseados em casos investigativos.


6. Thomas Kuhn (1922-1996) - Paradigmas das revoluções científicas

Físico, historiador e filósofo da ciência estadunidense que dedicou seus estudos a investigar o processo que permite a elaboração do conhecimento e desenvolvimento científico.


A preocupação de Thomas Kuhn com a História da Ciência, permitiu-lhe propor dois contrastes entre duas concepções da ciência: a ciência é entendida como atividade completamente racional e controlada (Perspectiva formalista); a ciência entendida como atividade concreta que se dá ao longo do tempo e que, em cada época histórica, apresenta peculiaridades e características próprias (Perspectiva historicista). (CHIBENI, 2020)

A partir do contraste apresentado, Kuhn elabora sua mais famosa obra, A Estrutura das Revoluções Científicas (1962), ocasionando o chamado giro histórico-sociológico da ciência, uma revolução na reflexão acerca da ciência, ao considerar próprios desta os aspectos históricos e sociológicos que rodeiam a atividade científica, e não só os lógicos e empíricos, como defendia o modelo formalista, o qual estava a ser desafiado pelo enfoque historicista de Kuhn.


Para Chibeni (2020), “A espinha dorsal da concepção kuhniana de ciência consiste na tese de que o desenvolvimento típico de uma disciplina científica se dá ao longo da seguinte estrutura aberta:


Assim, segundo Chibeni (2020), a estrutura acima pode ser analisada da seguinte forma:


A fase pré-paradigmática representa, por assim dizer, a pré-história de uma ciência, aquele período no qual reina uma ampla divergência entre os pesquisadores, ou grupos de pesquisadores, sobre quais fenômenos dever ser estudados, e como o devem ser, sobre quais devem ser explicados, e segundo quais princípios teóricos, sobre como os princípios teóricos se inter-relacionam, sobre as regras, métodos e valores que devem direcionar a busca, descrição, classificação e explicação de novos fenômenos, ou o desenvolvimento das teorias, sobre quais técnicas e instrumentos podem ser utilizados, e quais devem ser utilizados, etc. Enquanto predomina um tal estado de coisas, a disciplina ainda não alcançou o estatuto de científica, ou seja, não constitui uma ciência genuína.

Uma disciplina se torna uma ciência quando adquire um paradigma, encerrando-se a fase pré-paradigmática e iniciando-se uma fase de ciência normal. Este é o critério de demarcação proposto por Kuhn para substituir os critérios indutivista e falseacionista. O termo ‘paradigma’ tem uma acepção bastante elástica no texto original de Kuhn, e não podemos aqui adentrar as sutilezas de seu significado. Em seu sentido usual, pré-kuhniano, o termo significa ‘exemplo’, ‘modelo’.


Kuhn entende a ciência normal como uma atividade de resolução de “quebra-cabeças” (puzzles), já que, como eles, ela se desenvolve segundo regras relativamente bem definidas. Só que na ciência os quebra-cabeças nos são apresentados pela Natureza. Ao longo da exploração de um paradigma pode ocorrer que alguns desses quebra-cabeças se mostrem de difícil solução. O dever do cientista é insistir no emprego das regras e princípios paradigmáticos fundamentais o quanto possa. Nestas situações de crise, membros mais ousados e criativos da comunidade científica propõem alternativas de paradigmas.


Perdida a confiança no paradigma vigente, tais alternativas começam a ser levadas a sério por um número crescente de cientistas. Instala-se um período de discussões e divergências sobre os fundamentos da ciência que lembra um pouco o que ocorreu na fase pré-paradigmática. A diferença básica é que mesmo durante a crise o paradigma até então adotado não é abandonado, enquanto não surgir um outro que se revele superior a ele em praticamente todos os aspectos.


Quando um novo paradigma vem a substituir o antigo, ocorre aquilo que Kuhn chama de revolução científica.


Hacking (1962), no ensaio introdutório do livro “A Estrutura das revoluções Científicas”, ressalta que Kuhn queria deixar claro que “Após uma revolução, os cientistas, no campo que foi modificado, trabalham em um mundo diferente”. Entretanto, mesmo sabendo que, “literalmente, existe apenas um mundo, o mesmo de agora e de tempos passados”, é preciso “alimentar a esperança de um mundo melhor no futuro”, com a colaboração das revoluções científicas ainda por vir.

7. Imre Lakatos (1922-1974) – Programas de investigação científica

Filósofo da Matemática e da Ciência húngaro, que desenvolveu um conjunto de teorias e técnicas utilizadas por uma comunidade científica, designado de programa de pesquisa. Lakatos defendia a necessidade do pluralismo teórico (concorrência de programas de pesquisa), mesmo quando conflitantes, pois, segundo ele “é o que move o progresso do conhecimento”. (SILVEIRA, 1996)


A necessidade de explicar os fenômenos que o cerca e constituem sua existência, determina que a produção do conhecimento científico seja analisada, repensada, reelaborada quantas vezes a obstinação e criatividade humana assim permitir. Para Lakatos, não foi diferente: durante o processo de análise da teoria de Thomas Kuhn, sobre as Estruturas da Revolução científica, observou que a proliferação e a tenacidade não pertencem a períodos sucessivos da história da ciência, mas estão sempre co-presentes. (SILVEIRA, 1996)


O conceito de proliferação, em Lakatos, significa que “é desejável que haja teorias em competição e, segundo ele, é assim mesmo que as coisas se passam na história da ciência. A história da ciência não é a história de teorias sucessivas, como quer Kuhn, mas de teorias concorrentes” (SILVEIRA, 1996). Para Lakatos, “A história das ciências tem sido, e deve ser, uma história de programas de investigação competitivos (ou, se quiserem, de paradigmas), mas não tem sido, nem deve vir a ser, uma sucessão de períodos de ciência normal: quanto antes se iniciar a competição, tanto melhor para o progresso”. (Lakatos 1970, p. 69, apud BORGES NETO, s/d)


Sobre tenacidade, para Lakatos, significa que “o cientista não abandona uma teoria porque ela foi falseada, como quer Popper. O cientista, ao contrário, faz o possível para mantê-la, desconhecendo os contraexemplos ou recanalizando-os de modo a transformá-los em evidências corroboradoras de sua teoria”.


“A natureza pode gritar não, mas o engenho humano contrariamente ao que sustentam Weyl e Popper sempre é capaz de gritar mais alto. Com suficiente habilidade e com alguma sorte, qualquer teoria pode defender-se, progressivamente, durante longo tempo, inclusive se é falsa. (Lakatos 1971, p. 111)


Lakatos (1983; p. 107), usa a paráfrase de Thomas Kuhn - "A filosofia da ciência sem a história da ciência é vazia; a história da ciência sem a filosofia da ciência é cega" -, para estabelecer que “a posição de que a história da ciência pode ser utilizada para avaliar propostas metodológicas rivais; adicionalmente, a filosofia da ciência oferece ao historiador epistemologias, metodologias que lhe permitem reconstruir racionalmente a “história interna”, complementando-a mediante uma “história externa” (sociopsicológica)” (SILVEIRA, 1996).


É, portanto, pretensão de Lakatos que a MPPC seja a metodologia que melhor cumpre os objetivos acima propostos. Abaixo, as representações estruturais da MPPC:

8. Paul Karl Feyerabend (1923-1974) – Anarquismo epistemológico

Filósofo da ciência, austríaco. A abundância do mundo que habitamos excede a nossa imaginação mais ousada”; “somente uma fração dessa abundância afeta a nossa mente”, frase dita pelo filósofo Paul Feyeraband (1924-1994), conhecido por seus trabalhos na área da Filosofia da Ciência e pelo seu primeiro e mais conhecido livro Contra o Método (1975), no qual discorre sobre a validade e a variedade do papel da ciência na sociedade.


Feyeraband defende a ideia de que “os métodos científicos nunca são completamente neutros, pois sempre estão contaminados de crenças, preferências ou tendências históricas. Ele afirma que é necessário um certo anarquismo teórico e uma visão humanitária por parte do campo científico” (UNISINOS, 2013), daí sua suposta rejeição da existência de regras metodológicas universais.


Cabral (2022), ressalta que “Paul Feyeraband representa a radicalização sobre os fundamentos da ciência; para ele a ciência é uma atividade metodologicamente anárquica e que é apenas um dos modos de vida possíveis”. Feyeraband defende que há “vários fatores que determinam o desenvolvimento científico, desde a metafísica até a política e a economia”.


Quando se fala em anarquismo, temos a tendência em interpretar o conceito enquanto uma “ideologia política que se opõe a todo tipo de hierarquia e dominação, seja ela política, econômica, social ou cultural, como o Estado, o capitalismo, as instituições religiosas, o racismo e o patriarcado” (BEZERRA, s/d). Por conta disso, Goll et al (2018), fazem questão de “frisar que para Feyerabend o anarquismo significa uma oposição a um princípio universal, absoluto, imutável, do que oposição a toda e qualquer organização como muitos erroneamente vem a interpretá-lo”. É, portanto, nesta conotação, que Feyerabend (1977) discute que “todas as metodologias, mesmo as mais óbvias, têm limitações”, devendo, desse modo, serem exploradas e contrapostas a fim do progresso da ciência como um todo.



9. Larry Laudan (1941-2022) – Resolução de problemas

Físico, filósofo da ciência e epistemólogo americano, possuía uma visão muito pragmática em relação aos demais epistemólogos das ciências. Seus conceitos passam muito pela resolução de problemas enquanto meio pelo qual o progresso científico está baseado, tanto de natureza empírica quanto conceitual. Para Laudan, “O progresso científico sem acumulação aceita a opção da teoria que resolve mais problemas empíricos e apresenta o menor número de problemas conceituais”. (MOREIRA; MASSONI, 2011)


Marques (s/d), coloca em destaque que para Laudan “As tradições de investigação são as metodologias, as técnicas que perduram através da mudança de teorias e estabelecem o que existe de continuidade na história da ciência”. Isso ocorre em razão de que Laudan “defende que a coexistência de tradições de investigação rivais e de teorias rivais é uma regra para o avanço da ciência, em clara oposição a Kuhn que defende a existência de um único paradigma na fase de ciência normal, cuja fronteira é a revolução científica” (MARQUES, s/d).


Concluindo a apresentação das várias epistemologias que contribuem para a elaboração do pensamento científico, é necessário o entendimento de que “O conhecimento é considerado como um processo no qual um dado é adquirido e questionado até que surjam novos argumentos que alterem aquela constatação realizada inicialmente” (HEINZ; QUINTANA, 2020).


Portanto, o conhecimento “é decorrente de um processo no qual a epistemologia busca conhecer e analisar todas as etapas de sua estruturação. Desse modo, por existir um ciclo de constatação e questionamento, o conhecimento é sempre provisório, não é definitivo e se encontra sempre em evolução” (JAPIASSU, 1992).

O processo de desenvolvimento do conhecimento, segundo Piaget (1970), ocorre através da experiência do sujeito com o mundo externo e através de um processo de adaptação que ocorre em sua estrutura mental. Nesse sentido, consideramos nossa participação na disciplina de Epistemologia, a partir da experiência proporcionada pela mesma, estimulou a construção e entendimento sobre o conhecimento, proporcionando reflexões profundas sobre os temas epistemológicos como: o conhecimento científico; as metodologias científicas; o real; a verdade; o desenvolvimento cognitivo; o falseamento; conhecimento provisório e incompleto; o poder do discurso; os paradigmas; enfim, a complexidade existente no conhecimento científico. ((HEINZ; QUINTANA, 2020).


A Epistemologia da Ciência se revela essencial, ao possibilitar uma melhor compreensão de como o conhecimento científico é elaborado, pois submete a prática dos cientistas a uma reflexão constante, que consiste em estabelecer se o conhecimento pode ser definido por um simples conceito ou registro realizado pelo sujeito, ou se o sujeito poderá intervir ativamente no conhecimento dos objetos, questionamento esse que direciona as abordagens epistemológicas e que indagam se o conhecimento é tirado do objeto ou do sujeito.




[1]Texto elaborado para a disciplina Epistemologia da Ciência, no curso Licenciatura em Ciências Biológicas / UNEB/DEDC-Campus VIII, publicado no BioBlog / LabCriat-Umbuzeiro (https://www.labcriatumbuzeiro.com/) em 08 de novembro de 2022.


[2] Docente do curso de Licenciatura em Ciências Biológicas/UNEB/DEDC-Campus VIII. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/0838920937933125


[3] Tradução do texto Historicismo Dilthey: “Vivo meus próprios estados, encontro-me entrelaçado nas interações da sociedade como encruzilhada de seus vários sistemas. Esses sistemas surgiram da mesma natureza humana que vivo em mim e que compreendo nos outros. A linguagem, na qual penso, surgiu no tempo, meus conceitos cresceram dentro dela. Portanto, sou um ser histórico para profundezas inalcançáveis de mim mesmo. Temos assim o primeiro elemento importante para a solução do problema do conhecimento da história: a primeira condição para a possibilidade da ciência histórica reside no fato de que eu mesmo sou um ser histórico, e que quem investiga a história é ele mesmo que faz isso.” (Google tradutor).




REFERÊNCIAS


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